5 de out. de 2011

Renato Braz em entrevista - Parte 2

Continuação da entrevista com Renato Braz.
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PM - Quando você lançou seu primeiro CD?

RB - Foi em novembro de 1996. Chama "Renato Braz", feito pela Atração. Depois veio o "História Antiga", também da Atração, em 1998, que tem arranjos do Dori Caymmi. E agora vai sair o terceiro, muito provavelmente no início de janeiro, chamado "Outro Quilombo", pela mesma gravadora.

PM - Você disse que participou de festivais?

RB - Eu fiz isso mais na adolescência, mais para experimentar. E o engraçado é que participei como compositor e ganhei num festival de um colégio em Carapicuiba.

PM - Você ainda traz essa música com você, em repertório?

RB - Não, isso ficou lá...

PM - Você tem trabalho também como compositor?

RB - Tem algumas coisas, mas nunca terminei nada. Eu sempre acho que tem alguma coisa que eu não coloquei ali ainda. Mas o meu instrumento é a voz mesmo, a interpretação.

PM - Falando em festival, eu li em algum lugar que você não quis participar do Festival da Música Brasileira, da Rede Globo, ano passado?

RB - Eu fui convidado por várias pessoas para participar como intérprete do Festival da Globo, mas eu acho difícil cantar uma coisa que eu não tenha intimidade. É muito complicado para mim. Eu quero me emocionar, me entregar. O que me foi oferecido para cantar no festival eu não colocaria no meu disco. São coisas que eu não achei que fossem legais mesmo. Eu gostaria de estar fazendo aquilo de coração. Por exemplo, pegar uma música dessas do Mário Gil, que eu gosto, e cantar isso de cor, gostando.

PM - Aliás, o Mário Gil é um músico super constante no seu trabalho. Como vocês se conheceram?

RB - Eu conheci o Mário há uns 13 anos ou mais, tocando na noite, em bares. Esse último trabalho estou gravando no estúdio dele.

PM - Desde o primeiro disco você canta coisas dele?

RB - Desde o primeiro disco dele. Porque o primeiro disco que nós fizemos foi o dele, o "Luz do Cais". Depois fizemos o primeiro meu, o dele novamente e são vários discos já feitos. Mas o primeiro disco que eu gravei foi o dele mesmo. De certa forma, a gente vem aí caminhando junto. Estou sempre cantando o repertório dele.

PM - Como você lida com essa história de fazer shows? Você disse que é um pouco tímido. Quando lança CD é um bom motivo?

RB - Esse é um motivo bom para se fazer um show. Já fiz alguns trabalhos sem o disco, como um de acalantos, recolhendo algumas músicas desse gênero, e foi muito legal. Mas acho bem interessante apresentar um trabalho novo com as pessoas que o fizeram comigo, ajudaram a arranjar, elaborar o disco. O primeiro CD tem isso de arranjos coletivos, todo mundo criando. Essa coisa que te falei do bar, de levar isso um pouco para o estúdio. Eu sei pouco de música, o Mário sabe mais, de escrever e tudo mais. Juntar todas essas coisas e fazer, levar para o disco. O primeiro tem muito disso, o segundo já não, porque tem os arranjados do Dori Caymmi. Agora, o terceiro volta um pouco essa história, de estar todo mundo arranjando, esse jeito coletivo de compor.

PM - Como foi essa aproximação com o Dori Caymmi?

RB - Eu fui conhecer as músicas do Dori só lá pelos 20 anos. Pelo menos identificando as músicas como sendo dele. Afinal tem muita coisa que a gente conhece sem saber quem é o compositor. Inclusive foi o Mário quem me mostrou as coisas do Dori. Pô, me apaixonei. Adorei as músicas. Até que um dia eu fui a um show dele para entregar o meu primeiro disco. Eu estava tremendo, morrendo de medo. Nem conhecia o cara e tinha gravado duas músicas dele no CD. E eu nem tinha conferido a harmonia para gravar as músicas, tinha aprendido tudo de ouvido. E ele depois disse que ouviu e gostou. Logo depois, o convidei para fazer os arranjos do disco, de algumas músicas do segundo disco. Foi aí que a gente se conheceu mesmo.

PM - Nesse seu próximo trabalho, o "Outro Quilombo", que está para sair, qual é a idéia, a proposta dele?

RB - Eu vejo como uma seqüência dos outros trabalhos. Com relação aos arranjos e a direção musical, de certo modo voltei um pouco com a idéia do primeiro CD, onde eu faço os arranjos junto com os amigos, com todo mundo colaborando.

PM - A direção musical é sua também?

RB - A direção musical é minha. É um pouco mais confortável, talvez, até porque trabalhamos com músicos como o Teco Cardoso, o Proveta, o Mário Gil, o Sizão Machado, pessoas muito criativas. Vira uma coisa boa, sabe? Como se estivéssemos num quintal brincando e cada um contribuindo com uma coisa, todo mundo dizendo o que acha e tal. É um pouco mais demorado, mas é mais prazeroso para todos.

PM - Como você escolhe as música para o CD?

RB - Tem músicas aí que eu já tinha resolvido gravar há uns dez anos e gravei. Mas também tem outros casos como uma música inédita do Chico César e do Paquito.

PM - Qual é?

RB - Chama-se Crença. Eu tinha falado para eles que estava gravando um disco. Tinha até uma música, de muito tempo atrás, que o Chico havia me mostrado e eu pedi para ele mostrar novamente já que ninguém tinha gravado. Mas entre as músicas que ele mostrou Crença era uma nova. Assim que escutei, disse que ela já estava no repertório do CD. Romântica, bem do jeito que eu gosto.

PM - De quem mais tem música?

RB - Tem uma música do Jean e Paulo Garfunkel, que também eu conheço há bastante tempo e já cantava. Chama-se Cruzeiro do Sul. Tem Beatriz, do Chico Buarque e Edu Lobo, que eu queria gravar há muito tempo. No final do ano passado, teve um especial de Natal sobre o Edu Lobo na TV, e o Edu me convidou para cantar Beatriz. Eram vários artistas interpretando as músicas do Grande Circo Místico. Ao vivo, gravado no Via Funchal. Mas foi gravado num disco promocional, acho que de um banco.

PM - De modo geral, embora você já tenha citado algumas pessoas, quais são os músicos que estão te interessando, como o Carlinhos Brown, que você já comentou?

RB - O Dori é um, o Edu mesmo tem muita coisa que eu canto e gosto muito. O Tim Maia, que já é há muito tempo e será para sempre. Mas desses novos compositores eu gosto muito mesmo do Carlinhos Brown. O Arnaldo Antunes também é bem legal.

PM - Para muita gente, o seu canto remete a Milton Nascimento. Ele também foi uma influência para você?

RB - Do canto, talvez seja a minha maior influência. Aprendi muita coisa escutando as suas interpretações. Já fui a muitos shows e tenho vários discos. Um dos shows ao vivo que eu mais gostei, uma perfeição, foi o Planeta Blue na Estrada do Sol. Eu nunca vi ninguém cantar daquele jeito ao vivo.

PM - Mais ou menos quando foi, você lembra?

RB - Eu tenho até o ingresso aí, mas eu não lembro não. Acho que lá por 1990, 94, não sei direito. Foi gravado no Cultura Artística. Claro, já conhecia muita coisa dele, já tinha o Geraes, os dois Clube da Esquina, 1 e 2, enfim, conhecia muito o trabalho do Milton.

PM - Por falar em coisas marcantes, teve algum momento na sua carreira que você destaca como mais marcante?

RB - Puxa, acho isso muito difícil. São vários. Na verdade eu procuro isso, então, sempre vivi momentos muito especiais. Mas uma vez fui atuar como produtor num show do Dori Caymmi...

PM - Você foi produtor também?

RB - É, nesse caso, sim. Foi um show que o Dori foi fazer num teatro em Natal. Até quase pintou uma situação engraçada, porque eu percebi que iriam colocar um microfone para que o Dori me chamasse no meio do show. Puxa, não dava, eu estava ali numa outra situação, não estava preparado para cantar junto com ele num show dele, teria vergonha, coisa de fã mesmo. Fui ao camarim e pedi por favor para ele não me chamar. Ele disse que se eu estava pedindo ele não iria chamar. Mas durante o show ele dedicou uma música para mim.

PM - Qual foi a música?

RB - Se Todos Fossem Iguais a Você. Não sei se é um momento importante da carreira...

PM - Mas é, no mínimo, uma grande homenagem. Obrigado pela entrevista.

Renato Braz - Eu Preciso Aprender a Só Ser


Segue o clipe desta bela apresentação de Renato Braz no programa Som Brasil dedicado ao cantor e compositor Gilberto Gil, exibido pela TV Globo em 21/12/2007.

REVELAÇÃO MPB: Renato Braz


Renato Braz - Por Toda a Vida

Nesta quarta-feira, trago mais um bom nome da nova safra da música brasileira para todos conhecerem um pouco de sua vida e seu trabalho. Renato Braz é o destaque da seção Revelação MPB.

2 de out. de 2011

Sintonia::: Especial George Michael



Playlist com Top 15 contendo os maiores sucessos de George Michael.

George Michael e seus novos rumos

George Michael - Through

Em 2002, George Michael volta aos estúdios e grava o cd-single Shoot the Dog que critica o momento político vivido na Guerra do Iraque, atacando o es-presidente George Bush, dos EUA. A música entra para seu novo álbum Patience, que celebra seu retorno à gravadora Sony Music após o embate judicial e lançado em 2004, que trouxe novos hits como "Freeek!" (composta em 2001 e com nova versão em 2004), "Amazing" e "Through".

Em novembro de 2006, George lança sua segunda coletânea Twenty Five em dois formatos - um cd duplo e outro box com 3 cds em edição limitada - comemorando 25 anos de carreira e reunindo seus grandes sucessos e contando com participação de Paul McCartney na nova versão da música "Heal the Pain", além de 3 músicas inéditas. Também lança um dvd com materiais exclusivos contendo 40 clipes, inclusive nos tempos do Wham!. Em seguida, parte para a turnê mundial 25 Live.

Logo depois, o cantor vem enfrentando problemas pessoais que irão interferir em sua carreira. Em 2007, o cantor foi preso por dirigir sob efeito de drogas e ter sua habilitação suspensa após um concerto em Portugal. Após prestar serviço comunitário, volta em dezembro de 2009 para gravar novo cd-single "December Song (I Dreamed of Christmas)" dedicado ao Natal daquele ano. Em 2010, novamente é preso por se envolver em um acidente de carro. Já nesse ano de 2011, George teve que cancelar uma série de shows para tratar de uma pneumonia.

Atualmente George vem trabalhando na gravação de um novo disco a ser lançado em breve com a participação de uma orquestra sinfônica e com influências pop e dance. Sua nova turnê se chamará Symphonica.

Nota do blog (atualização em 25/12/2016): Mesmo tendo feito algumas apresentações esporádicas, George ficou longo tempo recluso e lutando contra as drogas, chegando a ser internado para reabilitação em 2014. Pela tarde de Natal do dia 25/12/2016, George Michael morreu de insuficiência cardíaca em sua casa aos 53 anos de idade.

George Michael na década de 1990

George Michael - Heal the Pain

O segundo disco Listen Without Prejudice Vol. 1 lançado em 1990 pela Sony Music confirma o bom momento de George Michael que traz, além da nova versão de "Freedom!" que teve seu clipe oficial recheado de modelos famosas, composições mais elaboradas como "Heal the Pain", "Cowboys and Angels" e uma regravação dos Rolling Stones com "You Can't Always Get What You Want".

Apesar da boa receptividade junto ao público e aclamado pela crítica, o disco teve poucas vendagens devido a um conflito envolvendo o cantor com sua gravadora Sony por falhar em sua divulgação comercial. Este embate gerou um longo processo judicial que terminou em 1993 dando causa favorável à gravadora e deixando George profundamente magoado e insatisfeito.

Em abril de 1992, ele participa do concerto em tributo a Freddie Mercury (que faleceu em 1991) ao lado de Lisa Stansfield com os membros do grupo Queen, no estádio de Wembley em Londres, na Inglaterra. Deste show originou o disco George Michael - Five Live, lançado no ano seguinte.

Em 1994, George Michael realiza um show no auditório da MTV Europe Music Awards apresentando sua nova canção "Jesus To a Child" dedicada ao seu amigo íntimo e designer brasileiro Anselmo Feleppa que conheceu em sua passagem no Brasil durante apresentação no Rock In Rio 2 em 1991 e morreu dois anos depois. A música entra no terceiro disco Older que é lançado em 1996, pela DreamWorks Records.

Dois anos depois, lança sua primeira coletânea Ladies and Gentlemen: The Best of George Michael em cd duplo e em dvd, reunindo grandes sucessos de sua carreira e singles que ficaram de fora de sua discografia oficial. E é neste período que o cantor, ao tentar dar uma cantada em policial em um banheiro público, foi preso pelo mesmo e surgiram boatos em torno da sua orientação sexual até que resolveu assumir sua homossexualidade. Em 1999, George grava Songs from the Last Century, um cd com músicas de outros artistas.

George Michael em carreira solo

George Michael - Father Figure

Um ano após o fim do Wham!, George Michael inicia sua bem sucedida carreira solo e faz um dueto com a cantora soul Aretha Franklin na música "I Knew You Were Waiting (For Me)", cujo cd single se tornou um dos mais executados nos Estados Unidos, ficando na posição nº 1 da Billboard's Hot 100. No mesmo ano, George grava seu primeiro álbum Faith, em outubro de 1987, considerado seu maior trabalho que lhe rendeu indicação ao Grammy, ganhando como Álbum do Ano em 1989 e vendeu mais de 25 milhões de cópias em todo o mundo.

Deste disco, considerado um dos 100 melhores álbuns da década de 1980 pela revista Rolling Stone, saíram vários singles como "Father Figure", "I Want Your Sex", além de "Faith". George Michael já é visto como um dos ícones da música pop e parte para a turnê mundial que se encerra em 1988 quando já se prepara para as gravações de seu segundo álbum.

George Michael e Andrew Ridgeley: Wham!

Wham! - Wake Me Up Before You Go-Go

George Michael é o nome artístico de Georgios Kyriacos Panayiotou e nasceu na região norte de Londres, na Inglaterra em 1963, vindo de uma família de origem burguesa. A música viria a fazer parte de sua vida ainda na adolescência quando estudava na Bushey Meads School, onde iria conhecer seu futuro amigo e parceiro musical Andrew Ridgeley.

A ambição musical dos dois iria dar resultado a partir de 1981, quando formaram a dupla Wham! (clique no nome ao lado para ir à seção Momento Flashback para mais detalhes). O sucesso torna-se imediato quando assina contrato com a gravadora CBS para lançar seu primeiro disco Fantastic em 1983, que emplaca seu primeiro single "Young Guns (Go For It)". Por conta dos direitos autorais do nome da dupla homônima nos Estados Unidos, George e Andrew registraram o nome Wham! UK neste país.

Mas é a partir do segundo disco Make It Big, de 1984, que Wham! conquista o mundo, com três hits bem colocados nas paradas de sucesso - "Wake Me Up Before You Go-Go", "Freedom" (que George regrava em 1990, com nova versão) e a balada "Careless Whisper" - sendo a última gravada por vários cantores. O álbum ficou em primeiro lugar nas vendas de vários países, rendendo várias premiações a dupla.

O terceiro e último disco da dupla Wham! intitulado Music From the Edge of Heaven não repetiu o mesmo sucesso do trabalho anterior, sendo lançado somente no Japão e na América. Porém, os destaques deste LP foram as faixas "The Edge of Heaven", "Last Christmas" e "I'm Your Man".

Depois que a dupla se desfez em 1986, George Michael parte para sua carreira solo e vira um dos grandes cantores da música pop mundial.

George Michael - Freedom '90


Clipe oficial da música "Freedom", de George Michael que faz parte do seu segundo disco Listen Without Prejudice Vol. 1, de 1990. Aqui, georege conta com a participação de modelos famosas como Naomi Campbell, Linda Evangelista, Christy Turlington, Tatjana Patitz e Cindy Crawford. 

Homenageado do Dia: George Michael



George Michael - Jesus To a Child

Um dos cantores da música pop mais conhecidos do mundo e que teve seu auge nas décadas de 1980 e 1990, George Michael é o Homenageado do Dia deste domingo.